Neste artigo analiso a transição hegemônica entre a ascensão da China e o declínio dos Estados Unidos no contexto do capitalismo neoliberal. Examina-se como a perda de primazia econômica de Washington contrasta com sua liderança militar e agressividade geopolítica, enquanto Pequim consolida seu avanço industrial sem recorrer ao intervencionismo clássico. Discuto as limitações das noções formais do Sul Global e as assimetrias internas dos BRICS, ressaltando que esses processos não devem ser analisados de forma simplificada. Para compreender as transformações contemporâneas, defendo a aplicação de conceitos marxistas como o desenvolvimento desigual e combinado, a polarização centro-periferia e a transferência internacional de valor, projetando os desafios políticos e sociais que essa reconfiguração mundial impõe aos movimentos populares.